Sim, nós falamos a mesma língua.
O ponto de partida no mapa não teve importância. Nem a trilha que traçamos. Onde nos encontramos é o que interessa: a interseção. Os dialetos que aprendemos por cada pedaço de onde estivemos agora nos pertencem. Fazem parte de quem somos. Permitem que sejamos uma mistura em constante mutação. Somos poliglotas na pronúncia e na interpretação. Dos outros.
À medida que as Línguas se conectam, nasce a cumplicidade. E a descoberta é mais intensa toda a vez que a autorização para a visita é dada. Quando o ritmo se imprime e a sincronia se estabelece, não falta nada. O visto foi concedido e a viagem certamente será boa. Se os países divergem na política mundial, se são rivais econômicos, nada disso faz mais sentido. Se o interesse é real e há vibração a cada palavra, nem as culturas resistem.
O som das palavras, a melodia que encontram, o eco que provocam em nós valem a pena. Sempre valeram. O sorriso é universal. Não muda nada a língua em que se fala quando todos os meus sentidos se interessam em entender. Em captar. Em viver. Se eu me volto pra ti e escuto o teu sussurro ou o teu grito, me recomendo a resposta. E a suave compreensão nos aproxima e atiça a vontade de conhecer.
Saber o que tu queres não me fez a melhor das intérpretes. Mas me fez suficientemente capaz de te ler. E o sabor que as palavras ganham quando são pra ti me satisfaz. A tua perspicácia estimula o meu desejo com ou sem palavra alguma. Porque as línguas que falamos um pro outro se encontram tão bem quanto as que deixamos que nos toquem dentro de nós.