Hora ou outra chego a pensar que meu coração não mais bate: se bate. O que deveria ser um bombeamento regular vira um borbulhar descoordenado, quase vivo demais. Não tenho força pra lutar contra o amor. Nunca tive. Na tentativa, a gente sangra. E o sangue em nós que outrora corria ritmado, esse sangue não circula. Ele jorra, escorre das veias. Transpira. Extravasa. Eu acelero.
Explodo ao mesmo tempo em que paro. O que seria simples fica pesaroso. Traços de uma vida desconcentrada, desconsertada. Fogem os nomes, surtam as tarefas e descontrola-se a realidade. Corro dentro de mim. Os pensamentos são um constante vai-e-vem e as mãos inquietas teimam em te acessar. Por algum meio, de alguma maneira. Ainda que não haja sequer rastro, os olhos insistem em ver-te passar ao lado. Em remontar teu rosto em algum corpo vizinho, em desenhar uma caricatura tua ao subir no ônibus.
O carro visto pela janela não é o teu. A janela que sobe no PC também não é a que carrega o teu nome. Mas o que é que tem? Se não importa o som, a música parece repetir os mesmos arranjos, as mesmas notas? A melodia é sempre igual e nunca cansativa. Poderia ouvir a mesma música a vida inteira se ela soasse como hoje.

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